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sábado, 5 de junho de 2010

ESCRIBIR COMO FORMA DE APRENDER
Luis Porter
http://academia.uat.edu.mx/porter/publicaciones.htm (Versión enero 2001)

aprender a escrever é aprender a pensar e vice-versa
Dois pressupostos básicos de qualquer instituição de educação:
1. A capacidade de escrever, de expressar-se por escrito, é crucial para o avanço intelectual.
2. Escrever clarifica e faz compreensíveis as idéias e inquietudes fundamentais que os estudantes têm como seres humanos.

Pode-se distinguir entre duas visões no uso da escrita:
1. uso tradicional de narrações entendidas como "escrever para demostrar o que sei", que tende a inibir o potencial de aprender no processo de escrever, e
2. uma abordagem mais ampla entendida como "escrever para aprender". Esta idéia enfatiza o usar o escrever para melhorar no estudante a capacidade de pensar por si mesmos.

 Escrever é uma atividade erroneamente concebida como um veículo através do qual se comunica o pensamento quando este está claro e perfeitamente elaborado.
 Escrever é um caminho para aprender, não uma demonstração do aprendido. Escrever é um processo importante, não meramente um produto.
 Escrever não é uma atividade cujo objetivo central seja o de comunicar, mas sim o de exercitar e desenvolver nossa capacidade de pensar.
 Escrever é uma ferramenta de análise, crucial para desenvolver uma voz profissional, mas que requer passar por processos de prova e erro, onde o "borrador" tem tanto valor como a versão que ingenuamente chamamos " a limpo".

Como acadêmicos, nosso objetivo deve ser escrever análises críticas que sejam claras, poderosas e até apaixonadas. Um exercício deste tipo, teria as seguintes características:
 Estou pensando, pensei, vou seguir pensando no tema de tese, isto é, no problema que quero abordar e nas perguntas que quero responder.
 Vou contar estas preocupações em uma narração onde vá pondo em ordem a série de idéias que têm me estado dando voltas na mente, de maneira tal que quem leia, entenda o que é que pretendo fazer.
 Para que o texto tenha sentido e o leitor entenda minha preocupação e interesse, vou dar os antecedentes necessários, vou pondo-os em uma ordem que faça compreensível o que conheço do problema, as razões pelas quais me interessa, que é o que quero saber que hoje desconheço, porque quero aprofundar e o que busco provar, tudo que faça de minha história um argumento convincente.

Para isso é preciso desenvolver a capacidade de conceber este escrito como uma historia ou um conto, algo que é possível de narrar. Ou seja, é preciso saber escrever, e escrever para contar algo que o leitor entenda e possa imaginar.
Uma boa história define relações, prioridades, seqüências de eventos, causas e efeitos, e ao fazê-lo vá desenhando em nossa imaginação dos elementos que devem constituir-se como um todo complexo. Isto apoia a idéia de escrever o projeto contando uma história. A narrativa leva o autor do projeto a colocar formulações mais concretas.
Todo plano ou projeto como história deve incorporar os seguintes passos:
1) Situar a cena. Isto é, definir a situação de maneira coerente. Analisar o contexto. Colocar os fatores que descrevem a situação, os atores, as forças atuantes, as tensões e relações, as possibilidades, os objetivos, as intenções ou direções. Uma vez desenhado este cenário ou cena,
2) Introduzir o conflito dramático. Quais são os desafios, as oportunidades, os perigos, o conflito e as possibilidades que queremos apoiar ou eludir. Então,
3) Colocar a resolução, de forma que satisfaça e que convença. Explicar como se podem superar os obstáculos, utilizando argumentos lógicos e concisos, específicos para a situação, que levam a resultados esperados. Para isso, se fez uma investigação, um trabalho de campo, uma indagação, se recolheram evidências, dados, fatos, e se incorporarão ao “script” da obra, da narrativa.

Estaremos então produzindo um texto crítico, que responde a una posição, que não é neutro, e ainda que pretenda ser cuidadoso e fundamentado, não será um texto passivo e indiferente, que suprime nosso pensamento para manter determinada "objetividade" que sabemos impossível.
Tentar converter nosso plano em uma narrativa, ou narrar nosso projeto, tem as seguintes vantagens:
1) Aumenta a capacidade de desenterrar de nosso inconsciente ou de nossa escondida visão de mundo os nossos supostos acerca de causas e efeitos.
2) Aparecem nossos valores que damos por fatos dados.
3) Ao escrever uma declaração lógica, isso estimula e obriga a aclarar nosso pensamento e, ao fazê-lo, percebemos a complexidade e as sutilezas das idéias.
4) Nos sentamos a escrever crendo que temos claro o que queremos, mas encontramos dificuldade em expressar-nos, e esta luta para encontrar as palavras adequadas, expõe nossos vazios, nossas dúvidas, as zonas pouco claras.
5) O esforço de pôr por escrito uma história, nosso projeto, também ajuda o interlocutor a entender-nos melhor.


Se traduzimos o anteriormente colocado para a definição de um projeto, este deverá cumprir os seguintes aspectos:
- Apresentar com clareza a problemática específica que pretende abordar, no contexto (estado de arte ou situação de conhecimento) de sua problemática a resolver, o que inclui perguntas básicas.
- Apresentar com precisão seu objeto de estudo. Isto inclui seu trabalho empírico, entrevistas com especialistas, vivências próprias, etc., assumindo uma tomada de posição fundamentada.
- Apresentar com amplitude a construção / problematização de seu objeto de estudo (colocado sucintamente nos dois pontos anteriores), fazendo explícito seus apoios ou referencial teórico.
- Colocar sua possível metodologia, justificando-a e sabendo que não é mais que um esquema de um caminho que seguramente não será o que o levará a seus objetivos.
- Assinalar qual é o resultado (a nova informação) que espera obter com o projeto.
Isto deve ser redigido cumprindo com as seguintes condições:
- Argumentações coerentes e criativas expressas em una proposta original.
- Linguagem clara e conceitos utilizados univocamente.
- Estrutura clara da investigação, isto é, que seja possível de resumir em um índice fundamentado.
- Definição precisa dos termos chaves.
- Correção de ortografia e sintaxe.
Para construir o projeto de forma consistente os responsáveis por um projeto precisarão se colocar e responder perguntas tais como:

- Quem realizou anteriormente um projeto similar, que responde a perguntas semelhantes?
- A quem está destinado este projeto e quais são seus usos?
- Quais são os recursos (humanos, de tempo e financeiros) de que disponho?
- Como me comunico com outros professores, autoridades e estudantes em relação a este projeto?
- Formo parte de redes, me comunico com outras instituições ou centros de pesquisa, comento meu trabalho com os que são autoridades no tema?
- Como penso discutir os resultados que penso obter com este projeto? Como me relaciono com os que são objeto de estudo?
- Como me relaciono com meu orientador e assessores: utilizando-os como guias e referências desde a liberdade de meu próprio critério, ou subordinando-me a eles?
- Que relação existe entre a investigação atual de outros sobre o mesmo tema e a que estou desenvolvendo?

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