domingo, 20 de junho de 2010
Cultura: Um Conceito Antropológico Autor: Roque de Barros Laraia Link:http://pt.shvoong.com/social-sciences/anthropology/1643717-cultura-um-con
O Conceito antropológico de cultura passa necessariamente pelo dilema da unidade biológica e a grande diversidade cultural da espécie humana. Um dilema que permanece como tema central de numerosas polêmicas e que aponta para a preocupação, há muito presente, com a diversidade de modos de comportamento existentes entre os diferentes povos. Desde a Antigüidade, foram comuns as tentativas de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. No entanto, logo os estudiosos concluíram que as diferenças de comportamento entre os homens não poderiam ser explicadas através das diversidades somatológicas ou mesológicas. Tanto o determinismo geográfico quanto o determinismo biológico foram incapazes de resolver o dilema, pois o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado chamado de endoculturação, ou seja, um menino e uma menina agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada. Da mesma forma, as diferenças entre os homens não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper em suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias conquistou os mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura. Apesar da dificuldade que os antropólogos enfrentam para definir a cultura, não se discute a sua realidade. A cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação oral e a capacidade de fabricação de instrumentos, capazes de tornar mais eficiente o seu aparato biológico. Isto significa afirmar que tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposições originadas fora da cultura. A comunicação oral torna-se então um processo vital da cultural: a linguagem é um produto da cultura, mas ao mesmo tempo não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral. A cultura desenvolveu-se simultaneamente com o próprio equipamento biológico humano e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características da espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral. Uma vez parte da estrutura humana, a cultura define a vida, e o faz não através das pressões de ordem material, mas de acordo com um sistema simbólico definido, que nunca é o único possível. A cultura, portanto, constitui a utilidade, serve de lente através da qual o homem vê o mundo e interfere na satisfação das necessidades fisiológicas básicas. Embora nenhum indivíduo conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário ter um conhecimento mínimo para operar dentro do mesmo. Conhecimento mínimo este que deve ser compartilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência dos mesmos. A cultura estrutura todo um sistema de orientação que tem uma lógica própria. Já foi o tempo em que se admitia existir sistemas culturais lógicos e sistemas culturais pré-lógicos. A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que pertence. Todas as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para o mundo natural que constitui categorias diversificadas e com características próprias.
sábado, 5 de junho de 2010
ESCRIBIR COMO FORMA DE APRENDER
Luis Porter
http://academia.uat.edu.mx/porter/publicaciones.htm (Versión enero 2001)
aprender a escrever é aprender a pensar e vice-versa
Dois pressupostos básicos de qualquer instituição de educação:
1. A capacidade de escrever, de expressar-se por escrito, é crucial para o avanço intelectual.
2. Escrever clarifica e faz compreensíveis as idéias e inquietudes fundamentais que os estudantes têm como seres humanos.
Pode-se distinguir entre duas visões no uso da escrita:
1. uso tradicional de narrações entendidas como "escrever para demostrar o que sei", que tende a inibir o potencial de aprender no processo de escrever, e
2. uma abordagem mais ampla entendida como "escrever para aprender". Esta idéia enfatiza o usar o escrever para melhorar no estudante a capacidade de pensar por si mesmos.
Escrever é uma atividade erroneamente concebida como um veículo através do qual se comunica o pensamento quando este está claro e perfeitamente elaborado.
Escrever é um caminho para aprender, não uma demonstração do aprendido. Escrever é um processo importante, não meramente um produto.
Escrever não é uma atividade cujo objetivo central seja o de comunicar, mas sim o de exercitar e desenvolver nossa capacidade de pensar.
Escrever é uma ferramenta de análise, crucial para desenvolver uma voz profissional, mas que requer passar por processos de prova e erro, onde o "borrador" tem tanto valor como a versão que ingenuamente chamamos " a limpo".
Como acadêmicos, nosso objetivo deve ser escrever análises críticas que sejam claras, poderosas e até apaixonadas. Um exercício deste tipo, teria as seguintes características:
Estou pensando, pensei, vou seguir pensando no tema de tese, isto é, no problema que quero abordar e nas perguntas que quero responder.
Vou contar estas preocupações em uma narração onde vá pondo em ordem a série de idéias que têm me estado dando voltas na mente, de maneira tal que quem leia, entenda o que é que pretendo fazer.
Para que o texto tenha sentido e o leitor entenda minha preocupação e interesse, vou dar os antecedentes necessários, vou pondo-os em uma ordem que faça compreensível o que conheço do problema, as razões pelas quais me interessa, que é o que quero saber que hoje desconheço, porque quero aprofundar e o que busco provar, tudo que faça de minha história um argumento convincente.
Para isso é preciso desenvolver a capacidade de conceber este escrito como uma historia ou um conto, algo que é possível de narrar. Ou seja, é preciso saber escrever, e escrever para contar algo que o leitor entenda e possa imaginar.
Uma boa história define relações, prioridades, seqüências de eventos, causas e efeitos, e ao fazê-lo vá desenhando em nossa imaginação dos elementos que devem constituir-se como um todo complexo. Isto apoia a idéia de escrever o projeto contando uma história. A narrativa leva o autor do projeto a colocar formulações mais concretas.
Todo plano ou projeto como história deve incorporar os seguintes passos:
1) Situar a cena. Isto é, definir a situação de maneira coerente. Analisar o contexto. Colocar os fatores que descrevem a situação, os atores, as forças atuantes, as tensões e relações, as possibilidades, os objetivos, as intenções ou direções. Uma vez desenhado este cenário ou cena,
2) Introduzir o conflito dramático. Quais são os desafios, as oportunidades, os perigos, o conflito e as possibilidades que queremos apoiar ou eludir. Então,
3) Colocar a resolução, de forma que satisfaça e que convença. Explicar como se podem superar os obstáculos, utilizando argumentos lógicos e concisos, específicos para a situação, que levam a resultados esperados. Para isso, se fez uma investigação, um trabalho de campo, uma indagação, se recolheram evidências, dados, fatos, e se incorporarão ao “script” da obra, da narrativa.
Estaremos então produzindo um texto crítico, que responde a una posição, que não é neutro, e ainda que pretenda ser cuidadoso e fundamentado, não será um texto passivo e indiferente, que suprime nosso pensamento para manter determinada "objetividade" que sabemos impossível.
Tentar converter nosso plano em uma narrativa, ou narrar nosso projeto, tem as seguintes vantagens:
1) Aumenta a capacidade de desenterrar de nosso inconsciente ou de nossa escondida visão de mundo os nossos supostos acerca de causas e efeitos.
2) Aparecem nossos valores que damos por fatos dados.
3) Ao escrever uma declaração lógica, isso estimula e obriga a aclarar nosso pensamento e, ao fazê-lo, percebemos a complexidade e as sutilezas das idéias.
4) Nos sentamos a escrever crendo que temos claro o que queremos, mas encontramos dificuldade em expressar-nos, e esta luta para encontrar as palavras adequadas, expõe nossos vazios, nossas dúvidas, as zonas pouco claras.
5) O esforço de pôr por escrito uma história, nosso projeto, também ajuda o interlocutor a entender-nos melhor.
Se traduzimos o anteriormente colocado para a definição de um projeto, este deverá cumprir os seguintes aspectos:
- Apresentar com clareza a problemática específica que pretende abordar, no contexto (estado de arte ou situação de conhecimento) de sua problemática a resolver, o que inclui perguntas básicas.
- Apresentar com precisão seu objeto de estudo. Isto inclui seu trabalho empírico, entrevistas com especialistas, vivências próprias, etc., assumindo uma tomada de posição fundamentada.
- Apresentar com amplitude a construção / problematização de seu objeto de estudo (colocado sucintamente nos dois pontos anteriores), fazendo explícito seus apoios ou referencial teórico.
- Colocar sua possível metodologia, justificando-a e sabendo que não é mais que um esquema de um caminho que seguramente não será o que o levará a seus objetivos.
- Assinalar qual é o resultado (a nova informação) que espera obter com o projeto.
Isto deve ser redigido cumprindo com as seguintes condições:
- Argumentações coerentes e criativas expressas em una proposta original.
- Linguagem clara e conceitos utilizados univocamente.
- Estrutura clara da investigação, isto é, que seja possível de resumir em um índice fundamentado.
- Definição precisa dos termos chaves.
- Correção de ortografia e sintaxe.
Para construir o projeto de forma consistente os responsáveis por um projeto precisarão se colocar e responder perguntas tais como:
- Quem realizou anteriormente um projeto similar, que responde a perguntas semelhantes?
- A quem está destinado este projeto e quais são seus usos?
- Quais são os recursos (humanos, de tempo e financeiros) de que disponho?
- Como me comunico com outros professores, autoridades e estudantes em relação a este projeto?
- Formo parte de redes, me comunico com outras instituições ou centros de pesquisa, comento meu trabalho com os que são autoridades no tema?
- Como penso discutir os resultados que penso obter com este projeto? Como me relaciono com os que são objeto de estudo?
- Como me relaciono com meu orientador e assessores: utilizando-os como guias e referências desde a liberdade de meu próprio critério, ou subordinando-me a eles?
- Que relação existe entre a investigação atual de outros sobre o mesmo tema e a que estou desenvolvendo?
Luis Porter
http://academia.uat.edu.mx/porter/publicaciones.htm (Versión enero 2001)
aprender a escrever é aprender a pensar e vice-versa
Dois pressupostos básicos de qualquer instituição de educação:
1. A capacidade de escrever, de expressar-se por escrito, é crucial para o avanço intelectual.
2. Escrever clarifica e faz compreensíveis as idéias e inquietudes fundamentais que os estudantes têm como seres humanos.
Pode-se distinguir entre duas visões no uso da escrita:
1. uso tradicional de narrações entendidas como "escrever para demostrar o que sei", que tende a inibir o potencial de aprender no processo de escrever, e
2. uma abordagem mais ampla entendida como "escrever para aprender". Esta idéia enfatiza o usar o escrever para melhorar no estudante a capacidade de pensar por si mesmos.
Escrever é uma atividade erroneamente concebida como um veículo através do qual se comunica o pensamento quando este está claro e perfeitamente elaborado.
Escrever é um caminho para aprender, não uma demonstração do aprendido. Escrever é um processo importante, não meramente um produto.
Escrever não é uma atividade cujo objetivo central seja o de comunicar, mas sim o de exercitar e desenvolver nossa capacidade de pensar.
Escrever é uma ferramenta de análise, crucial para desenvolver uma voz profissional, mas que requer passar por processos de prova e erro, onde o "borrador" tem tanto valor como a versão que ingenuamente chamamos " a limpo".
Como acadêmicos, nosso objetivo deve ser escrever análises críticas que sejam claras, poderosas e até apaixonadas. Um exercício deste tipo, teria as seguintes características:
Estou pensando, pensei, vou seguir pensando no tema de tese, isto é, no problema que quero abordar e nas perguntas que quero responder.
Vou contar estas preocupações em uma narração onde vá pondo em ordem a série de idéias que têm me estado dando voltas na mente, de maneira tal que quem leia, entenda o que é que pretendo fazer.
Para que o texto tenha sentido e o leitor entenda minha preocupação e interesse, vou dar os antecedentes necessários, vou pondo-os em uma ordem que faça compreensível o que conheço do problema, as razões pelas quais me interessa, que é o que quero saber que hoje desconheço, porque quero aprofundar e o que busco provar, tudo que faça de minha história um argumento convincente.
Para isso é preciso desenvolver a capacidade de conceber este escrito como uma historia ou um conto, algo que é possível de narrar. Ou seja, é preciso saber escrever, e escrever para contar algo que o leitor entenda e possa imaginar.
Uma boa história define relações, prioridades, seqüências de eventos, causas e efeitos, e ao fazê-lo vá desenhando em nossa imaginação dos elementos que devem constituir-se como um todo complexo. Isto apoia a idéia de escrever o projeto contando uma história. A narrativa leva o autor do projeto a colocar formulações mais concretas.
Todo plano ou projeto como história deve incorporar os seguintes passos:
1) Situar a cena. Isto é, definir a situação de maneira coerente. Analisar o contexto. Colocar os fatores que descrevem a situação, os atores, as forças atuantes, as tensões e relações, as possibilidades, os objetivos, as intenções ou direções. Uma vez desenhado este cenário ou cena,
2) Introduzir o conflito dramático. Quais são os desafios, as oportunidades, os perigos, o conflito e as possibilidades que queremos apoiar ou eludir. Então,
3) Colocar a resolução, de forma que satisfaça e que convença. Explicar como se podem superar os obstáculos, utilizando argumentos lógicos e concisos, específicos para a situação, que levam a resultados esperados. Para isso, se fez uma investigação, um trabalho de campo, uma indagação, se recolheram evidências, dados, fatos, e se incorporarão ao “script” da obra, da narrativa.
Estaremos então produzindo um texto crítico, que responde a una posição, que não é neutro, e ainda que pretenda ser cuidadoso e fundamentado, não será um texto passivo e indiferente, que suprime nosso pensamento para manter determinada "objetividade" que sabemos impossível.
Tentar converter nosso plano em uma narrativa, ou narrar nosso projeto, tem as seguintes vantagens:
1) Aumenta a capacidade de desenterrar de nosso inconsciente ou de nossa escondida visão de mundo os nossos supostos acerca de causas e efeitos.
2) Aparecem nossos valores que damos por fatos dados.
3) Ao escrever uma declaração lógica, isso estimula e obriga a aclarar nosso pensamento e, ao fazê-lo, percebemos a complexidade e as sutilezas das idéias.
4) Nos sentamos a escrever crendo que temos claro o que queremos, mas encontramos dificuldade em expressar-nos, e esta luta para encontrar as palavras adequadas, expõe nossos vazios, nossas dúvidas, as zonas pouco claras.
5) O esforço de pôr por escrito uma história, nosso projeto, também ajuda o interlocutor a entender-nos melhor.
Se traduzimos o anteriormente colocado para a definição de um projeto, este deverá cumprir os seguintes aspectos:
- Apresentar com clareza a problemática específica que pretende abordar, no contexto (estado de arte ou situação de conhecimento) de sua problemática a resolver, o que inclui perguntas básicas.
- Apresentar com precisão seu objeto de estudo. Isto inclui seu trabalho empírico, entrevistas com especialistas, vivências próprias, etc., assumindo uma tomada de posição fundamentada.
- Apresentar com amplitude a construção / problematização de seu objeto de estudo (colocado sucintamente nos dois pontos anteriores), fazendo explícito seus apoios ou referencial teórico.
- Colocar sua possível metodologia, justificando-a e sabendo que não é mais que um esquema de um caminho que seguramente não será o que o levará a seus objetivos.
- Assinalar qual é o resultado (a nova informação) que espera obter com o projeto.
Isto deve ser redigido cumprindo com as seguintes condições:
- Argumentações coerentes e criativas expressas em una proposta original.
- Linguagem clara e conceitos utilizados univocamente.
- Estrutura clara da investigação, isto é, que seja possível de resumir em um índice fundamentado.
- Definição precisa dos termos chaves.
- Correção de ortografia e sintaxe.
Para construir o projeto de forma consistente os responsáveis por um projeto precisarão se colocar e responder perguntas tais como:
- Quem realizou anteriormente um projeto similar, que responde a perguntas semelhantes?
- A quem está destinado este projeto e quais são seus usos?
- Quais são os recursos (humanos, de tempo e financeiros) de que disponho?
- Como me comunico com outros professores, autoridades e estudantes em relação a este projeto?
- Formo parte de redes, me comunico com outras instituições ou centros de pesquisa, comento meu trabalho com os que são autoridades no tema?
- Como penso discutir os resultados que penso obter com este projeto? Como me relaciono com os que são objeto de estudo?
- Como me relaciono com meu orientador e assessores: utilizando-os como guias e referências desde a liberdade de meu próprio critério, ou subordinando-me a eles?
- Que relação existe entre a investigação atual de outros sobre o mesmo tema e a que estou desenvolvendo?
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Egocentrismo
'' A consideração do ''eu'' como algo absoluto tem sido uma natural tendência do homem, levando-o sempre à miopia mental quando este abdica da visão holística da vida.''
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